Terapia da Falal
Glossário
Uma decisão informada traz melhores resultados. Reunimos os termos mais comuns sobre a terapia da fala.
A
- Adenoides hipertrofiadas
- Crescimento aumentado do tecido adenoideu que pode obstruir a via nasal, favorecendo respiração pela boca, ronco e alterações miofuncionais. Após tratamento médico ou cirúrgico, reeduca-se respiração, mastigação e deglutição.
- Afasia
- Perturbação adquirida da linguagem, frequente após AVC ou traumatismo, que afeta compreender, falar, ler ou escrever. A intervenção visa recuperar funções linguísticas e estratégias de comunicação.
- Afonia
- Perda total da voz por abuso vocal, inflamação, lesão das pregas vocais ou fatores psicogénicos. Requer avaliação médica e terapia vocal orientada.
- Apneia obstrutiva do sono infantil
- Paragens respiratórias durante o sono por obstrução das vias aéreas superiores. Associa-se a respiração oral e alterações craniofaciais. A terapia miofuncional complementa a abordagem médica.
- Apraxia da fala
- Défice no planeamento e coordenação dos movimentos articulatórios, com musculatura íntegra. Pode ocorrer no desenvolvimento ou após lesão neurológica. Treino motor intensivo e repetição estruturada.
- Articulação
- Produção dos sons da fala por movimentos coordenados de língua, lábios, mandíbula e palato. Alterações geram substituições, omissões ou distorções.
- Articulação compensatória
- Padrão alternativo usado para contornar limitações estruturais, típico em fissura labiopalatina. A intervenção substitui compensações por pontos e modos corretos.
- Atraso de linguagem
- Ritmo de desenvolvimento linguístico mais lento do que o esperado para a idade. Exige despiste de fatores auditivos, ambientais e neurodesenvolvimentais.
- Autismo (Perturbação do Espetro do Autismo)
- Condição do neurodesenvolvimento com diferenças na comunicação social e padrões comportamentais. Foco em comunicação funcional, pragmática e apoio à família.
B
- Balbucio
- Vocalizações rítmicas e repetitivas em bebés. Variedade no balbucio associa-se a melhor desenvolvimento fonológico posterior.
C
- Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA)
- Estratégias e sistemas que complementam ou substituem a fala natural, de baixa ou alta tecnologia. Objetivo de comunicação funcional e autonomia.
- Consciência fonológica
- Capacidade de identificar e manipular rimas, sílabas e fonemas. Forte preditor da leitura e escrita, alvo frequente de treino.
D
- Deglutição atípica
- Padrão com interposição lingual, selagem labial deficiente ou uso exagerado da musculatura perioral. Relaciona-se com maloclusões. Reeducação miofuncional.
- Despiste auditivo neonatal
- Rastreio precoce de perda auditiva nas primeiras semanas de vida. Deteção e intervenção precoces melhoram resultados linguísticos.
- Diadococinesia oral (DDK)
- Medição da rapidez e coordenação em sequências articulatórias rápidas. Útil no diagnóstico de perturbações motoras da fala.
- Disartria
- Perturbação motora da fala por fraqueza ou coordenação deficiente dos músculos articulatórios. Discurso pode soar arrastado, monótono ou nasal.
- Disfagia
- Dificuldade em engolir sólidos e/ou líquidos com risco de engasgamento e aspiração. Avaliação clínica e, quando indicado, instrumental, com plano de reabilitação.
- Disfonia
- Alteração da qualidade vocal, com rouquidão, esforço ou fadiga. Gestão inclui higiene vocal e reeducação do uso da voz.
- Disfluência
- Interrupções involuntárias do fluxo da fala como repetições, prolongamentos e bloqueios. Quando persistentes, enquadram gaguez.
- Disfemia (gaguez)
- Perturbação da fluência. Intervenção combina estratégias de comunicação, autorregulação e redução de fatores de tensão comunicativa.
- Dislalia
- Termo tradicional para erros articulatórios sem base neurológica. Hoje classifica-se como perturbação articulatória ou fonológica.
- Dislexia
- Perturbação específica da leitura com dificuldades na precisão e fluência da descodificação, frequentemente ligada a défices fonológicos.
E
- Ecolália
- Repetição imediata ou diferida de palavras ou frases. Pode ter função comunicativa e ser trabalhada para maior flexibilidade.
- Estimulação precoce da linguagem
- Estratégias responsivas no dia a dia para promover vocabulário, sintaxe e pragmática, com leitura dialogada e expansão de enunciados.
- Estridor
- Ruído respiratório por obstrução das vias aéreas. Exige avaliação médica. A terapia intervém quando há impacto em voz, alimentação ou fala.
F
- Fissura labiopalatina
- Malformação de lábio e/ou palato que afeta sucção, deglutição, ressonância e articulação. Tratamento interdisciplinar com cirurgia e terapia da fala.
- Fonema
- Menor unidade sonora distintiva numa língua. O treino fonémico sustenta leitura e escrita.
- Fonética
- Estudo físico e articulatório dos sons da fala. Base para descrever pontos e modos de articulação.
- Fonologia
- Regras que organizam os sons na língua. A terapia trabalha contrastes e generalização de padrões.
- Frenotomia
- Procedimento para libertar o frénulo lingual curto quando há impacto funcional em amamentação, fala ou higiene oral.
G
- Glotalização
- Produção com oclusão glótica excessiva. Pode surgir como compensação em insuficiência velofaríngea. Treino de coordenação pneumofonoarticulatória.
H
- Hipernasalidade
- Excesso de ressonância nasal por fecho velofaríngeo ineficiente. Abordagem pode incluir cirurgia e reabilitação específica.
- Hiponasalidade
- Ressonância nasal reduzida, típica de obstrução nasal. Gestão médica e treino ressonantal.
- Hipoacusia
- Perda auditiva condutiva, neurossensorial ou mista. O impacto na linguagem depende de grau, tipo e idade de início. Dispositivos auditivos e intervenção precoce melhoram prognóstico.
- Hipotonia orofacial
- Tonus reduzido nos músculos orais e faciais que influencia mastigação, deglutição e articulação. Intervenção miofuncional focada em postura, selagem e dissociação de movimentos.
I
- Inteligibilidade da fala
- Medida do quão compreensível é o discurso para um ouvinte. Melhora com trabalho em articulação, fonologia, ritmo e prosódia.
- Insuficiência velofaríngea
- Incapacidade de o véu do palato fechar adequadamente contra a parede faríngea, gerando escape nasal e hipernasalidade. Pode requerer cirurgia, próteses e terapia.
L
- Lateralização de sons
- Fluxo de ar pelas margens da língua, afetando sobretudo /s/ e /ʃ/. Reeduca-se ponto e modo de articulação.
- Leitura dialogada
- Leitura partilhada com perguntas abertas, expansões e atenção conjunta para ganhos em vocabulário e compreensão.
- Linguagem expressiva
- Uso de palavras, frases e gestos para comunicar. Dificuldades evidenciam vocabulário limitado e discurso pouco organizado.
- Linguagem recetiva
- Capacidade de compreender o que é dito ou lido. Alterações dificultam seguir instruções e responder adequadamente.
M
- Mastigação unilateral
- Uso preferencial de um lado para mastigar, com impacto em equilíbrio miofuncional e oclusão. Intervenção promove simetria e eficiência.
- Memória de trabalho fonológica
- Manutenção e manipulação temporária de informação sonora. Importante para novas palavras e leitura. Treina-se com tarefas graduadas.
- Mínimos pares
- Palavras que diferem por um único fonema. Técnica central na terapia fonológica para estabelecer contrastes.
- Motricidade orofacial
- Área dedicada a respiração, mastigação, deglutição, postura e fala. Integra exercícios específicos e treino em contexto funcional.
N
- Nasalidade
- Qualidade ressonantal pela participação das cavidades nasais. Variações extremas indicam avaliação funcional.
- Nódulos vocais
- Espessamentos benignos bilaterais nas pregas vocais por uso/abuso vocal. Primeira linha é reabilitação vocal e higiene vocal.
- Nutrição com texturas modificadas
- Ajuste de consistências para segurança na disfagia, prescrito após avaliação com plano de reabilitação associado.
O
- Oclusão dentária
- Relação entre arcadas dentárias. Maloclusões relacionam-se a padrões miofuncionais alterados. Abordagem interdisciplinar com ortodontia.
- Orofaringe
- Segmento da faringe relevante para trânsito do bolo alimentar e ressonância. Alterações estruturais e funcionais impactam deglutição e voz.
- Otite média serosa
- Líquido no ouvido médio que reduz condução sonora, frequente em idade pré-escolar. Pode afetar linguagem e exige acompanhamento.
P
- Palatoplastia
- Cirurgia para correção do palato fendido. Melhora função velofaríngea e ressonância, seguida de reabilitação.
- Perturbação articulatória
- Produção incorreta de um ou mais sons sem causa neurológica. Envolve substituições, omissões ou distorções.
- Perturbação da comunicação social (pragmática)
- Dificuldade em usar a linguagem de forma adequada em contextos sociais, apesar de vocabulário e gramática preservados.
- Perturbação da linguagem
- Alteração persistente e significativa na compreensão e/ou expressão linguística, com impacto funcional.
- Perturbação específica da linguagem (PEL)
- Dificuldades significativas de linguagem sem défice auditivo, intelectual ou neurológico. Uma das causas mais frequentes na infância.
- Perturbação fonológica
- Dificuldades na organização e uso dos sons da fala, afetando a inteligibilidade. Trabalham-se regras e contrastes.
- Pragmática
- Uso social da linguagem: iniciar e manter conversas, interpretar implícitos e ajustar registo ao contexto.
- Prosódia
- Entoação, ritmo e acentuação que transmitem significado e emoção. Treino melhora naturalidade comunicativa.
R
- Refluxo laringofaríngeo
- Contato de conteúdo gástrico com laringe e faringe, gerando rouquidão, pigarro e tosse. Gestão médica e reeducação vocal.
- Respiração oral
- Hábito de respirar pela boca, associado a alterações orofaciais e padrões miofuncionais. Reeducação de selagem labial e postura lingual.
- Rinofonia / Rinolalia
- Termos para alterações da ressonância nasal. Prefere-se descrever como hipernasalidade ou hiponasalidade de acordo com a função.
S
- Screening auditivo
- Avaliação breve para detetar risco de perda auditiva em várias idades e encaminhar para diagnóstico completo.
- Selagem labial
- Manter lábios fechados em repouso e durante funções. A sua ausência associa-se a respiração oral e deglutição ineficiente.
- Sinais de alerta da linguagem
- Indicadores por idade que justificam avaliação, como ausência de gestos aos 12 meses, de palavras aos 16 meses ou de combinações aos 24 meses.
- Silabação
- Estruturação da palavra em sílabas. A consciência silábica é etapa importante do desenvolvimento fonológico.
- Sopro nasal
- Escape audível de ar pelo nariz durante a fala. Pode indicar disfunção velofaríngea ou hábito articulatório inadequado.
T
- Taquilalia
- Fala acelerada, com perda de clareza. Intervenção regula ritmo, respiração e articulação.
- Tartamudez
- Sinónimo de gaguez em alguns contextos. Ver também Disfemia.
- Terapia baseada na evidência
- Integra melhores estudos científicos, experiência clínica e preferências da pessoa e família para decisões terapêuticas.
- Terapia da fala
- Profissão da saúde que previne, avalia e trata perturbações da comunicação, linguagem, voz, fluência e deglutição em todas as idades.
- Terapia miofuncional
- Reequilíbrio dos músculos orofaciais para otimizar respiração, mastigação, deglutição e articulação.
- Timpanostomia
- Colocação de tubos de ventilação no tímpano para ventilar o ouvido médio e reduzir otites de repetição, com benefícios para a audição.
V
- Velofaringe, mecanismo
- Conjunto de estruturas que separa cavidades oral e nasal durante a fala e deglutição. Competência velofaríngea é essencial para ressonância e pressão intraoral.
- Voz
- Som produzido pelas pregas vocais e modificado pelos articuladores, transmitindo informação linguística e emocional.
- Voz de sopro
- Qualidade vocal com escape de ar excessivo, resultando em voz arejada. Treino de suporte respiratório e fecho glótico eficiente.