Terapia da Falal

Glossário

Uma decisão informada traz melhores resultados. Reunimos os termos mais comuns sobre a terapia da fala.

A

Adenoides hipertrofiadas
Crescimento aumentado do tecido adenoideu que pode obstruir a via nasal, favorecendo respiração pela boca, ronco e alterações miofuncionais. Após tratamento médico ou cirúrgico, reeduca-se respiração, mastigação e deglutição.
Afasia
Perturbação adquirida da linguagem, frequente após AVC ou traumatismo, que afeta compreender, falar, ler ou escrever. A intervenção visa recuperar funções linguísticas e estratégias de comunicação.
Afonia
Perda total da voz por abuso vocal, inflamação, lesão das pregas vocais ou fatores psicogénicos. Requer avaliação médica e terapia vocal orientada.
Apneia obstrutiva do sono infantil
Paragens respiratórias durante o sono por obstrução das vias aéreas superiores. Associa-se a respiração oral e alterações craniofaciais. A terapia miofuncional complementa a abordagem médica.
Apraxia da fala
Défice no planeamento e coordenação dos movimentos articulatórios, com musculatura íntegra. Pode ocorrer no desenvolvimento ou após lesão neurológica. Treino motor intensivo e repetição estruturada.
Articulação
Produção dos sons da fala por movimentos coordenados de língua, lábios, mandíbula e palato. Alterações geram substituições, omissões ou distorções.
Articulação compensatória
Padrão alternativo usado para contornar limitações estruturais, típico em fissura labiopalatina. A intervenção substitui compensações por pontos e modos corretos.
Atraso de linguagem
Ritmo de desenvolvimento linguístico mais lento do que o esperado para a idade. Exige despiste de fatores auditivos, ambientais e neurodesenvolvimentais.
Autismo (Perturbação do Espetro do Autismo)
Condição do neurodesenvolvimento com diferenças na comunicação social e padrões comportamentais. Foco em comunicação funcional, pragmática e apoio à família.

B

Balbucio
Vocalizações rítmicas e repetitivas em bebés. Variedade no balbucio associa-se a melhor desenvolvimento fonológico posterior.

C

Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA)
Estratégias e sistemas que complementam ou substituem a fala natural, de baixa ou alta tecnologia. Objetivo de comunicação funcional e autonomia.
Consciência fonológica
Capacidade de identificar e manipular rimas, sílabas e fonemas. Forte preditor da leitura e escrita, alvo frequente de treino.

D

Deglutição atípica
Padrão com interposição lingual, selagem labial deficiente ou uso exagerado da musculatura perioral. Relaciona-se com maloclusões. Reeducação miofuncional.
Despiste auditivo neonatal
Rastreio precoce de perda auditiva nas primeiras semanas de vida. Deteção e intervenção precoces melhoram resultados linguísticos.
Diadococinesia oral (DDK)
Medição da rapidez e coordenação em sequências articulatórias rápidas. Útil no diagnóstico de perturbações motoras da fala.
Disartria
Perturbação motora da fala por fraqueza ou coordenação deficiente dos músculos articulatórios. Discurso pode soar arrastado, monótono ou nasal.
Disfagia
Dificuldade em engolir sólidos e/ou líquidos com risco de engasgamento e aspiração. Avaliação clínica e, quando indicado, instrumental, com plano de reabilitação.
Disfonia
Alteração da qualidade vocal, com rouquidão, esforço ou fadiga. Gestão inclui higiene vocal e reeducação do uso da voz.
Disfluência
Interrupções involuntárias do fluxo da fala como repetições, prolongamentos e bloqueios. Quando persistentes, enquadram gaguez.
Disfemia (gaguez)
Perturbação da fluência. Intervenção combina estratégias de comunicação, autorregulação e redução de fatores de tensão comunicativa.
Dislalia
Termo tradicional para erros articulatórios sem base neurológica. Hoje classifica-se como perturbação articulatória ou fonológica.
Dislexia
Perturbação específica da leitura com dificuldades na precisão e fluência da descodificação, frequentemente ligada a défices fonológicos.

E

Ecolália
Repetição imediata ou diferida de palavras ou frases. Pode ter função comunicativa e ser trabalhada para maior flexibilidade.
Estimulação precoce da linguagem
Estratégias responsivas no dia a dia para promover vocabulário, sintaxe e pragmática, com leitura dialogada e expansão de enunciados.
Estridor
Ruído respiratório por obstrução das vias aéreas. Exige avaliação médica. A terapia intervém quando há impacto em voz, alimentação ou fala.

F

Fissura labiopalatina
Malformação de lábio e/ou palato que afeta sucção, deglutição, ressonância e articulação. Tratamento interdisciplinar com cirurgia e terapia da fala.
Fonema
Menor unidade sonora distintiva numa língua. O treino fonémico sustenta leitura e escrita.
Fonética
Estudo físico e articulatório dos sons da fala. Base para descrever pontos e modos de articulação.
Fonologia
Regras que organizam os sons na língua. A terapia trabalha contrastes e generalização de padrões.
Frenotomia
Procedimento para libertar o frénulo lingual curto quando há impacto funcional em amamentação, fala ou higiene oral.

G

Glotalização
Produção com oclusão glótica excessiva. Pode surgir como compensação em insuficiência velofaríngea. Treino de coordenação pneumofonoarticulatória.

H

Hiper­nasalidade
Excesso de ressonância nasal por fecho velofaríngeo ineficiente. Abordagem pode incluir cirurgia e reabilitação específica.
Hiponasalidade
Ressonância nasal reduzida, típica de obstrução nasal. Gestão médica e treino ressonantal.
Hipoacusia
Perda auditiva condutiva, neurossensorial ou mista. O impacto na linguagem depende de grau, tipo e idade de início. Dispositivos auditivos e intervenção precoce melhoram prognóstico.
Hipotonia orofacial
Tonus reduzido nos músculos orais e faciais que influencia mastigação, deglutição e articulação. Intervenção miofuncional focada em postura, selagem e dissociação de movimentos.

I

Inteligibilidade da fala
Medida do quão compreensível é o discurso para um ouvinte. Melhora com trabalho em articulação, fonologia, ritmo e prosódia.
Insuficiência velofaríngea
Incapacidade de o véu do palato fechar adequadamente contra a parede faríngea, gerando escape nasal e hipernasalidade. Pode requerer cirurgia, próteses e terapia.

L

Lateralização de sons
Fluxo de ar pelas margens da língua, afetando sobretudo /s/ e /ʃ/. Reeduca-se ponto e modo de articulação.
Leitura dialogada
Leitura partilhada com perguntas abertas, expansões e atenção conjunta para ganhos em vocabulário e compreensão.
Linguagem expressiva
Uso de palavras, frases e gestos para comunicar. Dificuldades evidenciam vocabulário limitado e discurso pouco organizado.
Linguagem recetiva
Capacidade de compreender o que é dito ou lido. Alterações dificultam seguir instruções e responder adequadamente.

M

Mastigação unilateral
Uso preferencial de um lado para mastigar, com impacto em equilíbrio miofuncional e oclusão. Intervenção promove simetria e eficiência.
Memória de trabalho fonológica
Manutenção e manipulação temporária de informação sonora. Importante para novas palavras e leitura. Treina-se com tarefas graduadas.
Mínimos pares
Palavras que diferem por um único fonema. Técnica central na terapia fonológica para estabelecer contrastes.
Motricidade orofacial
Área dedicada a respiração, mastigação, deglutição, postura e fala. Integra exercícios específicos e treino em contexto funcional.

N

Nasalidade
Qualidade ressonantal pela participação das cavidades nasais. Variações extremas indicam avaliação funcional.
Nódulos vocais
Espessamentos benignos bilaterais nas pregas vocais por uso/abuso vocal. Primeira linha é reabilitação vocal e higiene vocal.
Nutrição com texturas modificadas
Ajuste de consistências para segurança na disfagia, prescrito após avaliação com plano de reabilitação associado.

O

Oclusão dentária
Relação entre arcadas dentárias. Maloclusões relacionam-se a padrões miofuncionais alterados. Abordagem interdisciplinar com ortodontia.
Orofaringe
Segmento da faringe relevante para trânsito do bolo alimentar e ressonância. Alterações estruturais e funcionais impactam deglutição e voz.
Otite média serosa
Líquido no ouvido médio que reduz condução sonora, frequente em idade pré-escolar. Pode afetar linguagem e exige acompanhamento.

P

Palatoplastia
Cirurgia para correção do palato fendido. Melhora função velofaríngea e ressonância, seguida de reabilitação.
Perturbação articulatória
Produção incorreta de um ou mais sons sem causa neurológica. Envolve substituições, omissões ou distorções.
Perturbação da comunicação social (pragmática)
Dificuldade em usar a linguagem de forma adequada em contextos sociais, apesar de vocabulário e gramática preservados.
Perturbação da linguagem
Alteração persistente e significativa na compreensão e/ou expressão linguística, com impacto funcional.
Perturbação específica da linguagem (PEL)
Dificuldades significativas de linguagem sem défice auditivo, intelectual ou neurológico. Uma das causas mais frequentes na infância.
Perturbação fonológica
Dificuldades na organização e uso dos sons da fala, afetando a inteligibilidade. Trabalham-se regras e contrastes.
Pragmática
Uso social da linguagem: iniciar e manter conversas, interpretar implícitos e ajustar registo ao contexto.
Prosódia
Entoação, ritmo e acentuação que transmitem significado e emoção. Treino melhora naturalidade comunicativa.

R

Refluxo laringofaríngeo
Contato de conteúdo gástrico com laringe e faringe, gerando rouquidão, pigarro e tosse. Gestão médica e reeducação vocal.
Respiração oral
Hábito de respirar pela boca, associado a alterações orofaciais e padrões miofuncionais. Reeducação de selagem labial e postura lingual.
Rinofonia / Rinolalia
Termos para alterações da ressonância nasal. Prefere-se descrever como hipernasalidade ou hiponasalidade de acordo com a função.

S

Screening auditivo
Avaliação breve para detetar risco de perda auditiva em várias idades e encaminhar para diagnóstico completo.
Selagem labial
Manter lábios fechados em repouso e durante funções. A sua ausência associa-se a respiração oral e deglutição ineficiente.
Sinais de alerta da linguagem
Indicadores por idade que justificam avaliação, como ausência de gestos aos 12 meses, de palavras aos 16 meses ou de combinações aos 24 meses.
Silabação
Estruturação da palavra em sílabas. A consciência silábica é etapa importante do desenvolvimento fonológico.
Sopro nasal
Escape audível de ar pelo nariz durante a fala. Pode indicar disfunção velofaríngea ou hábito articulatório inadequado.

T

Taquilalia
Fala acelerada, com perda de clareza. Intervenção regula ritmo, respiração e articulação.
Tartamudez
Sinónimo de gaguez em alguns contextos. Ver também Disfemia.
Terapia baseada na evidência
Integra melhores estudos científicos, experiência clínica e preferências da pessoa e família para decisões terapêuticas.
Terapia da fala
Profissão da saúde que previne, avalia e trata perturbações da comunicação, linguagem, voz, fluência e deglutição em todas as idades.
Terapia miofuncional
Reequilíbrio dos músculos orofaciais para otimizar respiração, mastigação, deglutição e articulação.
Timpanostomia
Colocação de tubos de ventilação no tímpano para ventilar o ouvido médio e reduzir otites de repetição, com benefícios para a audição.

V

Velofaringe, mecanismo
Conjunto de estruturas que separa cavidades oral e nasal durante a fala e deglutição. Competência velofaríngea é essencial para ressonância e pressão intraoral.
Voz
Som produzido pelas pregas vocais e modificado pelos articuladores, transmitindo informação linguística e emocional.
Voz de sopro
Qualidade vocal com escape de ar excessivo, resultando em voz arejada. Treino de suporte respiratório e fecho glótico eficiente.